O TRAUMA DE MÃE
Eu sempre tive medo de pessoas do sexo masculino. Eu sei que eu sou “muito” piadista e engraçada, mas dessa vez é verdade.
Quando eu sofria bullying na escola, eu sempre achava o bullying dos meninos muito mais assustador.
Na adolescência, eu morria de pavor só de pensar em um garoto chegar perto de mim.
Eu nunca parei para pensar muito nesse medo que eu tinha de homens.
Mas acho que sei de onde ele vem.
Daí que o nome “O trauma de mãe” aparece. Não porque eu sou uma mãe com trauma, não porque eu tenho trauma de ter filhos (coisa que eu também não tenho), e muito menos porque a minha mãe tem algum trauma.
Muito pelo contrário, é porque ELA me causou um trauma que, se fosse dito por outra pessoa, não iria me impactar da mesma forma.
Quando eu era bem criancinha, eu morava em um condomínio de apartamentos com meus pais. Eu ainda era filha única.
Um dia, anoitecendo, por alguma razão que eu não me lembro, eu estava sozinha com a minha mãe no carro estacionado no pátio do condomínio.
Sentada no banco de passageiro, ela virou para mim e disse:
“Não se aproxime muito dos meninos.”
Eu, aos meus cinco anos, achando que ela iria falar algo relacionado a namoro, perguntei:
“Por quê?”
A resposta dela:
“Porque eles têm um estilete e podem cortar as suas partes íntimas.”
Obrigada mãe.
Traumatizou? Sim. Eu não tenho uma vida romântica ativa? Não.
Mas pelo menos não sofri de Gravidez na Adolescência.